quinta-feira, 3 de julho de 2008

Vamos dançar um Jongo?


“Bendito Louvado Seja! É o Rosário de Maria!”, assim começa a cantiga do Grupo Cultural Jongo da Serrinha. Fundado em 2000 o Grupo dá continuidade ao trabalho de dona Maria Joana Rezadeira e Mestre Darcy há mais de 40 anos. O Jongo é o precursor do Samba e foi trazido ao solo brasileiro por escravos angolanos. Também conhecido como Caxambu, o ritmo veio da África com os negros bantos trazidos para as fazendas de café do Vale do Paraíba.


Atualmente o Jongo ganha espaço como expressão cultural e chega ao interesse da juventude de classe média, que aprende os passos em shows na Lapa e outros locais. No entanto, para os professores da dança a regra número 1 da resistência cultural é não perder a referência. “Fazemos oficinas em vários lugares”, diz Lazir Sinval, professora da dança. “Mas queremos sempre manter a sede aqui, no Morro da Serrinha.”


O Morro da Serrinha, em Madureira, na zona norte, é uma das favelas centenárias da cidade do Rio de Janeiro e o único núcleo tradicional de jongo da cidade. Em 2005, o jongo foi tombado pelo IPHAN como o primeiro Bem Imaterial do Estado do Rio. Enquanto muitas outras favelas são conhecidas como territórios dominados pelo tráfico de drogas, a Serrinha ficou famosa por suas rodas de jongo e pela resistência cultural.


A região compreendida pelos bairros de Madureira e Oswaldo Cruz, já nos anos imediatamente posteriores à abolição da escravatura, centralizou durante muito tempo a prática desta manifestação na zona rural da antiga Corte Imperial, atraindo um grande número de migrantes ex-escravos, oriundos das fazendas de café do Vale do Paraíba.

Composto por música e dança, animado por poetas que se desafiam por meio da improvisação com cantigas ou pontos enigmáticos. Uma característica essencial da linguagem do Jongo é a utilização de símbolos que, além de manter o sentido cifrado, possuem função supostamente mágica. Dentre os mais evidentes pode-se citar o fogo, com o qual são afinados os instrumentos; os tambores, que são consagrados e considerados como ancestrais da comunidade; a dança em círculos com um casal ao centro, que remete à fertilidade; sem esquecer, é claro, as ricas metáforas utilizadas pelos jongueiros para compor seus "pontos" e cujo sentido é inacessível para os não-iniciados.


http:// http://www.jongodaserrinha.org.br/






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