segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O Grande General do Incas.

Um estudo de sedimentos encontrados na região de Cuzco, no Peru, sugere que o antigo Império Inca se beneficiou de um período de aquecimento global que durou cerca de 500 anos - exatamente na época em que aquela civilização conheceu seu maior apogeu. O estudo, coordenado pelo pesquisador Alex Chepstow-Lusty, do Instituto Francês de Estudos Andinos em Lima, capital peruana, analisou como a evolução social e econômica verificada durante os anos Incas se relacionam às mudanças climáticas nos Andes no mesmo período. Ele expôs uma tese que segue na contramão daquilo em que até então se acreditava. Segundo ele, os Incas não eram guerreiros tão excepcionais. O que tiveram foi, isso sim, a natureza como forte aliada ao longo de cinco séculos.

Para os Incas também o clima jogou sempre a favor, embora tenha de se reconhecer, na opinião de Chepstow-Lusty, que lhes cabe o mérito da criatividade ao se aproveitar do derretimento de geleiras para montar um dos mais bem-sucedidos sistemas de irrigação do período pré-colombiano. A elevação da temperatura nos Andes a partir de 1100 foi, na visão dos pesquisadores, literalmente o divisor de águas na evolução da civilização Inca.


"Essa condição de aquecimento teria permitido aos Incas explorar as atitudes mais elevadas (após o ano 1150), construindo terraços agrícolas que empregavam irrigação alimentada por geleiras, em combinação com técnicas agroflorestais deliberadas", escreveram os pesquisadores.


Esse império teve, então, um poderoso general como aliado: a elevação da temperatura da região, bastante branda, mas catastrófica para quem não soube tirar proveito dela, uma vez que se fez constante por quase meio milênio. Contra tropas nazistas, falou-se da tática do "general inverno". Contra os inimigos dos Incas, pode-se falar, em palavras muito em voga nos dias atuais, de "general aquecimento global".


Para os cientistas as conclusões de quase mil anos atrás podem ser úteis no mundo de hoje. "Pode haver lições importantes para gerar desenvolvimento rural sustentado nos Andes à luz da futura incerteza climática", eles disseram.
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quinta-feira, 2 de outubro de 2008

A Luz de Candeia

Pessoal ontem assisti no Odeon um filme dentro do Festival do Rio, Eu sou Povo de Bruno Bacellar, Regina Rocha e Luis Fernando Couto. Lá vai... Política e samba se misturam na obra de Antônio Candeia Filho, sambista que fundou o movimento Quilombo no subúrbio do Rio de Janeiro. Vou deixar abaixo o Manifesto de fundação da Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba QUILOMBO. Saiba mais!


Estou chegando…
Venho com fé. Respeito mitos e tradições,Trago um canto negro.
Busco a liberdade.Não admito moldes!
As forças contrárias são muitas, não faz mal…
Meus pés estão no chão, tenho certeza da vitória,
Minhas portas são abertas, entre com cuidado, aqui todos podem colaborar.
Ninguém pode imperar.
Teorias deixo de lado, dou vazão à riqueza de um modo ideal.
A sabedoria é o meu sustentáculo…O amor é o meu princípio…A imaginação é minha bandeira…
Não sou radical pretendo apenas salvaguardar o que resta de uma cultura.
Gritei bem alto explicando a um sistema que cala vozes importantes e permite que outras totalmente alheias falem quando bem entenderem…
Sou franco atirador!
Não almejo glórias, faço questão de não virar academia, tão pouco palácio.
Não atribua o meu nome ao tão desgastado sufixo ão.
Nadas de forjadas e mal feitas especulações literárias.
Deixo os complexos temas às observações dos verdadeiros intelectuais.
Eu sou o povo… basta de complicações.
Extraio o belo das coisas simples que me seduzem.
Quero sair pelas ruas do subúrbio com minhas baianas rendadas sambando sem parar…
Com minha comissão de frente digna de respeito…
Intimamente ligados as minhas origens, artistas plásticos, figurinistas, coreógrafos, departamento culturais profissionais…
Não me incomodem, por favor, sintetizo um mundo mágico.
Estou chegando…

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

A criação do INEA e o fortalecimento da Gestão Ambiental.

A criação de um órgão que pudesse agilizar o processo de licenciamento ambiental, diminuindo a burocracia e a corrupção foi o alvo da Lei 5101 de 04 de Outubro de 2007, tendo como propositor o ex-sercretário e atual Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, o INEA - Instituto Estadual do Ambiente está nascendo com muita expectativa. A primeira parte foi a realização de concurso públlico (Ver resultado final) para seleção de profissionais pós-graduados, especialistas, técnicos e administrativos. Agora os aprovados e a sociedade esperam a implementação do Instituto que segundo o persidente da FEEMA, Axel Grael, está seguindo o cronograma normal e " a convocação dos aprovados será feita pelo próprio INEA. Para isso, é preciso a sua regulamentação, que pretendemos concluir em outubro. Haverá um período de treinamento, logo após a contratação ".



Uma fusão das duas fundações ambientais do Estado do Rio de Janeiro, FEEMA( Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente, SERLA (Fundação Superintendência Estadual de Rios e Lagoas) e do IEF (Instituto Estadual de Florestas) o INEA será intergrante da Administração Pública Indireta, como autarquia especial e vinculada a Secretaria de Estado do Ambiente - SEA. Sua função será "executar políticas estaduais do meio ambiente, de recursos hídricos e de recursos florestais adotadas pelos Poderes Executivo e Legislativo".
Mais informações em


O PL 6424 e o desmatamento na Amazônia Brasileira.


O Projeto de Lei 6424/2005 de autoria do senador tucano Flexa Ribeiro do estado do Pará altera a Lei 4771/1965 (Lei que Institui o novo Codigo Florestal) da seguinte forma, reduz a reserva legal da região para 50% e ainda permite compensar, em outros locais, qualquer desmatamento que vá além desse limite. Denominado Projeto Floresta Zero pelos ambientalistas o devido PL vai de encontro aos interesses de preservação, conservação e desenvolvimento sustentável naquela região. A Floresta Amazônica está de pé como forma de prestar ao homem uma última chance de encontrar-se uma forma de receber o desenvolvimento econômico de forma ajuizada, sem as cobiças insaciáveis da globalização e do homem sem conhecimento. A questão ambiental aglutina cada vez mais interessados em ao menos serem esclarecidos, informados e antenados dos assuntos ligados a área.

Uma iniciativa interessante para barar este projeto e buscar preservar o máximo possível da Floresta, veio do grupo Greenpeace que lançou um movimento na internet para obter assinaturas e mostrar que a sociedade brasileira não aceita o projeto. Confiram a idéia em www.meiaamazonianao.org.br.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

O Semi-árido tem valor


A Desertificação é definida como processo de destruição do potencial produtivo da terra nas regiões de clima árido, semi-árido e sub-úmido seco. O problema vem sendo detectado desde os anos 30, nos Estados Unidos, quando intensos processos de destruição da vegetação e solos ocorreu no Meio Oeste americano.

A desertificação ocorre em mais de 100 países do mundo. Por isso é considerada um problema global. No Brasil existem quatro áreas, que são chamadas núcleos de desertificação, onde é intensa a degradação. Elas somam 18,7 mil km² e se localizam nos municípios de Gilbués, no Piauí; Seridó, no Rio Grande do Norte; Irauçuba, no Ceará e Cabrobó, em Pernambuco. As regiões áridas, semi-áridas e subúmidas secas, também chamadas de terras secas, ocupam mais de 37% de toda a superfície do planeta, abrigando mais de 1 bilhão de pessoas, ou seja, 1/6 da população mundial, cujos indicadores são de baixo nível de renda, baixo padrão tecnológico, baixo nível de escolaridade e ingestão de proteínas abaixo dos níveis aceitáveis pela Organização Mundial de Saúde - OMS. Mas a sua evolução ocorre em cada lugar de modo específico e apresenta dinâmicas influenciadas por esses lugares.

Possíveis causas da desertificação podem ser apuradas:
O desmatamento, que além de comprometer a biodiversidade, deixa os solos descobertos e expostos à erosão, ocorre como resultado das atividades econômicas, seja para fins de agricultura de sequeiro ou irrigada, seja para a pecuária, quando a vegetação nativa é substituída por pasto, seja diretamente para o uso da madeira como fonte de energia (lenha e carvão).
O uso intensivo do solo, sem descanso e sem técnicas de conservação, provoca erosão e compromete a produtividade, repercutindo diretamente na situação econômica do agricultor. A cada ano, a colheita diminui, e também a possibilidade de ter reservas de alimento para o período de estiagem. É comum verificar-se, no semi-árido, a atividade da pecuária ser desenvolvida sem considerar a capacidade de suporte da região, o que pressiona tanto pasto nativo como plantado, além de tornar o solo endurecido, compacto.
A irrigação mal conduzida provoca a salinização dos solos, inviabilizando algumas áreas e perímetros irrigados do semi-árido, o problema tem sido provocado tanto pelo tipo de sistema de irrigação, muitas vezes inadequado às características do solo, quanto, principalmente, pela maneira como a atividade é executada, fazendo mais uma molhação do que irrigando.
Além de serem correlacionados, esses problemas desencadeiam outros, de extrema gravidade para a região. É o caso do assoreamento de cursos d'água e reservatórios, provocado pela erosão, que, por sua vez, é desencadeada pelo desmatamento e por atividades econômicas desenvolvidas sem cuidados com o meio ambiente.


Video Interessante:
Desertificação e degradação do solo......http://br.youtube.com/watch?v=dlRcy75VUmc

Uma voz do Nordeste


"Boa noite, gente rica
De sabença e inducação,
Peço que descurpe os êrro
Desta minha falação.
Não conheço português,
Apois eu por minha vez
Nunca mexi com papé,
Mas vou falá na linguage
Da minha gente servage,
Entenda lá quem pudé!


Se eu nunca fui à escola
Inducação eu não tenho,
Mas porém peço licença
Mode eu dizê de onde venho
E onde é meu torrão querido,
Lá onde eu tenho vivido,
Que eu não quero que arguém pense
Que eu sou sujeito de fora,
Apois eu tive a gulora
De também sê cearense.

Eu sou fio de Assaré,
Onde viveu meu avô,
Lugá do meu nascimento
Que fica no interiô,
De junto do Cariri.
Nasci e me criei ali
Sem nunca saí de lá,
E vou dizer sem segredo:
Ando aqui com munto medo
Dos carro me machucá.
.

.

.

É muito mais boa a vida
Da minha gente matuta,
Lá onde tudo é sossego,
Lá onde ninguém escuta
Essa zoada mardita,
E onde tombém se acredita
E se crê no coração
Em munta coisa da vida
Que essas pessoa sabida
Chama de surprestição


Sei que aqui tem munta gente
Sabida que é bem capaz
De lê de trás pra diante
E de diante pra trás.
Home de boa conveça,
Que sabe o nome das peça
Do vapô e do avião,
Do carro e da bicicreta,
Mas não conhace as dieta
Da vida do meu sertão.
.
.
.

Lá não tem ninguém sabido,
Mas a vida é resguardada.
Por inzempro, no sertão
A coisa munto arriescada
Que a muié do sertanejo,
Inda que tenha desejo
Nunca faz nem nunca fez,
É comê banana geme
Pruquê comendo ela teme
Tê dois fio duma vez."

Versos do poema, No meu sertão.

Patativa do Assaré

Vamos dançar um Jongo?


“Bendito Louvado Seja! É o Rosário de Maria!”, assim começa a cantiga do Grupo Cultural Jongo da Serrinha. Fundado em 2000 o Grupo dá continuidade ao trabalho de dona Maria Joana Rezadeira e Mestre Darcy há mais de 40 anos. O Jongo é o precursor do Samba e foi trazido ao solo brasileiro por escravos angolanos. Também conhecido como Caxambu, o ritmo veio da África com os negros bantos trazidos para as fazendas de café do Vale do Paraíba.


Atualmente o Jongo ganha espaço como expressão cultural e chega ao interesse da juventude de classe média, que aprende os passos em shows na Lapa e outros locais. No entanto, para os professores da dança a regra número 1 da resistência cultural é não perder a referência. “Fazemos oficinas em vários lugares”, diz Lazir Sinval, professora da dança. “Mas queremos sempre manter a sede aqui, no Morro da Serrinha.”


O Morro da Serrinha, em Madureira, na zona norte, é uma das favelas centenárias da cidade do Rio de Janeiro e o único núcleo tradicional de jongo da cidade. Em 2005, o jongo foi tombado pelo IPHAN como o primeiro Bem Imaterial do Estado do Rio. Enquanto muitas outras favelas são conhecidas como territórios dominados pelo tráfico de drogas, a Serrinha ficou famosa por suas rodas de jongo e pela resistência cultural.


A região compreendida pelos bairros de Madureira e Oswaldo Cruz, já nos anos imediatamente posteriores à abolição da escravatura, centralizou durante muito tempo a prática desta manifestação na zona rural da antiga Corte Imperial, atraindo um grande número de migrantes ex-escravos, oriundos das fazendas de café do Vale do Paraíba.

Composto por música e dança, animado por poetas que se desafiam por meio da improvisação com cantigas ou pontos enigmáticos. Uma característica essencial da linguagem do Jongo é a utilização de símbolos que, além de manter o sentido cifrado, possuem função supostamente mágica. Dentre os mais evidentes pode-se citar o fogo, com o qual são afinados os instrumentos; os tambores, que são consagrados e considerados como ancestrais da comunidade; a dança em círculos com um casal ao centro, que remete à fertilidade; sem esquecer, é claro, as ricas metáforas utilizadas pelos jongueiros para compor seus "pontos" e cujo sentido é inacessível para os não-iniciados.


http:// http://www.jongodaserrinha.org.br/