quinta-feira, 3 de julho de 2008

O Semi-árido tem valor


A Desertificação é definida como processo de destruição do potencial produtivo da terra nas regiões de clima árido, semi-árido e sub-úmido seco. O problema vem sendo detectado desde os anos 30, nos Estados Unidos, quando intensos processos de destruição da vegetação e solos ocorreu no Meio Oeste americano.

A desertificação ocorre em mais de 100 países do mundo. Por isso é considerada um problema global. No Brasil existem quatro áreas, que são chamadas núcleos de desertificação, onde é intensa a degradação. Elas somam 18,7 mil km² e se localizam nos municípios de Gilbués, no Piauí; Seridó, no Rio Grande do Norte; Irauçuba, no Ceará e Cabrobó, em Pernambuco. As regiões áridas, semi-áridas e subúmidas secas, também chamadas de terras secas, ocupam mais de 37% de toda a superfície do planeta, abrigando mais de 1 bilhão de pessoas, ou seja, 1/6 da população mundial, cujos indicadores são de baixo nível de renda, baixo padrão tecnológico, baixo nível de escolaridade e ingestão de proteínas abaixo dos níveis aceitáveis pela Organização Mundial de Saúde - OMS. Mas a sua evolução ocorre em cada lugar de modo específico e apresenta dinâmicas influenciadas por esses lugares.

Possíveis causas da desertificação podem ser apuradas:
O desmatamento, que além de comprometer a biodiversidade, deixa os solos descobertos e expostos à erosão, ocorre como resultado das atividades econômicas, seja para fins de agricultura de sequeiro ou irrigada, seja para a pecuária, quando a vegetação nativa é substituída por pasto, seja diretamente para o uso da madeira como fonte de energia (lenha e carvão).
O uso intensivo do solo, sem descanso e sem técnicas de conservação, provoca erosão e compromete a produtividade, repercutindo diretamente na situação econômica do agricultor. A cada ano, a colheita diminui, e também a possibilidade de ter reservas de alimento para o período de estiagem. É comum verificar-se, no semi-árido, a atividade da pecuária ser desenvolvida sem considerar a capacidade de suporte da região, o que pressiona tanto pasto nativo como plantado, além de tornar o solo endurecido, compacto.
A irrigação mal conduzida provoca a salinização dos solos, inviabilizando algumas áreas e perímetros irrigados do semi-árido, o problema tem sido provocado tanto pelo tipo de sistema de irrigação, muitas vezes inadequado às características do solo, quanto, principalmente, pela maneira como a atividade é executada, fazendo mais uma molhação do que irrigando.
Além de serem correlacionados, esses problemas desencadeiam outros, de extrema gravidade para a região. É o caso do assoreamento de cursos d'água e reservatórios, provocado pela erosão, que, por sua vez, é desencadeada pelo desmatamento e por atividades econômicas desenvolvidas sem cuidados com o meio ambiente.


Video Interessante:
Desertificação e degradação do solo......http://br.youtube.com/watch?v=dlRcy75VUmc

Uma voz do Nordeste


"Boa noite, gente rica
De sabença e inducação,
Peço que descurpe os êrro
Desta minha falação.
Não conheço português,
Apois eu por minha vez
Nunca mexi com papé,
Mas vou falá na linguage
Da minha gente servage,
Entenda lá quem pudé!


Se eu nunca fui à escola
Inducação eu não tenho,
Mas porém peço licença
Mode eu dizê de onde venho
E onde é meu torrão querido,
Lá onde eu tenho vivido,
Que eu não quero que arguém pense
Que eu sou sujeito de fora,
Apois eu tive a gulora
De também sê cearense.

Eu sou fio de Assaré,
Onde viveu meu avô,
Lugá do meu nascimento
Que fica no interiô,
De junto do Cariri.
Nasci e me criei ali
Sem nunca saí de lá,
E vou dizer sem segredo:
Ando aqui com munto medo
Dos carro me machucá.
.

.

.

É muito mais boa a vida
Da minha gente matuta,
Lá onde tudo é sossego,
Lá onde ninguém escuta
Essa zoada mardita,
E onde tombém se acredita
E se crê no coração
Em munta coisa da vida
Que essas pessoa sabida
Chama de surprestição


Sei que aqui tem munta gente
Sabida que é bem capaz
De lê de trás pra diante
E de diante pra trás.
Home de boa conveça,
Que sabe o nome das peça
Do vapô e do avião,
Do carro e da bicicreta,
Mas não conhace as dieta
Da vida do meu sertão.
.
.
.

Lá não tem ninguém sabido,
Mas a vida é resguardada.
Por inzempro, no sertão
A coisa munto arriescada
Que a muié do sertanejo,
Inda que tenha desejo
Nunca faz nem nunca fez,
É comê banana geme
Pruquê comendo ela teme
Tê dois fio duma vez."

Versos do poema, No meu sertão.

Patativa do Assaré

Vamos dançar um Jongo?


“Bendito Louvado Seja! É o Rosário de Maria!”, assim começa a cantiga do Grupo Cultural Jongo da Serrinha. Fundado em 2000 o Grupo dá continuidade ao trabalho de dona Maria Joana Rezadeira e Mestre Darcy há mais de 40 anos. O Jongo é o precursor do Samba e foi trazido ao solo brasileiro por escravos angolanos. Também conhecido como Caxambu, o ritmo veio da África com os negros bantos trazidos para as fazendas de café do Vale do Paraíba.


Atualmente o Jongo ganha espaço como expressão cultural e chega ao interesse da juventude de classe média, que aprende os passos em shows na Lapa e outros locais. No entanto, para os professores da dança a regra número 1 da resistência cultural é não perder a referência. “Fazemos oficinas em vários lugares”, diz Lazir Sinval, professora da dança. “Mas queremos sempre manter a sede aqui, no Morro da Serrinha.”


O Morro da Serrinha, em Madureira, na zona norte, é uma das favelas centenárias da cidade do Rio de Janeiro e o único núcleo tradicional de jongo da cidade. Em 2005, o jongo foi tombado pelo IPHAN como o primeiro Bem Imaterial do Estado do Rio. Enquanto muitas outras favelas são conhecidas como territórios dominados pelo tráfico de drogas, a Serrinha ficou famosa por suas rodas de jongo e pela resistência cultural.


A região compreendida pelos bairros de Madureira e Oswaldo Cruz, já nos anos imediatamente posteriores à abolição da escravatura, centralizou durante muito tempo a prática desta manifestação na zona rural da antiga Corte Imperial, atraindo um grande número de migrantes ex-escravos, oriundos das fazendas de café do Vale do Paraíba.

Composto por música e dança, animado por poetas que se desafiam por meio da improvisação com cantigas ou pontos enigmáticos. Uma característica essencial da linguagem do Jongo é a utilização de símbolos que, além de manter o sentido cifrado, possuem função supostamente mágica. Dentre os mais evidentes pode-se citar o fogo, com o qual são afinados os instrumentos; os tambores, que são consagrados e considerados como ancestrais da comunidade; a dança em círculos com um casal ao centro, que remete à fertilidade; sem esquecer, é claro, as ricas metáforas utilizadas pelos jongueiros para compor seus "pontos" e cujo sentido é inacessível para os não-iniciados.


http:// http://www.jongodaserrinha.org.br/